Estou diante da vida. Da vida que ainda vou levar.
Saber que muito me aguarda e que muito anseio conquistar.
Amigos amores, que venham aos montes.
Vida que venha e prepare o seu melhor para me derrubar.

Porque hoje sou lobo, sou forte. Um guerreiro nato.
Com fogo nas veias e um mundo aos meus pés esperando que eu o sinta.
Cada vez mais astuto e forte. Não tenho medo da morte, porque ela é o elo.

domingo, 10 de julho de 2011

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Jovem Homem




No porto crepúsculo detrás das montanhas, lá estava. Lá estava sentada a figura de um homem cujos traços mostravam certa diversidade para os demais da região. Tal cais diante da imensidão azul atracava no máximo três ou quatro naus, dando as costas para o sertão meticuloso em que sonhos eram forjados sob as costas dos valentes homens que se aventuravam pelo mar. Todos sabiam que apenas cortavam as ondas gélidas e tenebrosas diante da fúria de Poseidon aqueles cuja experiência e determinação andava lado a lado em seu leito mundano, feito a vida. Aqueles cuja herança já fora dada e seus primogênitos ensinados a seguirem seus passos até darem inicio a nova geração do pequeno vilarejo beira-mar. Mas aquele... Aquele pequeno homem diferenciado dos demais, sem uma feição robusta ou traços de longas jornadas de trabalho, estava lá. Estava lá ao invés de estar acolá em meio de damas angelicais e canecas e mais canecas de cerveja. O que acontecera? Talvez, sua única túnica e botas o denunciavam. Não tinha ninguém, não tinha o que proteger. Era um presidiário sem grades sob o chão de sua sombra.
Boatos diziam que o menino dado às trevas e amarguras do mundo, sozinho na tempestade litorânea tivera uma vez alguém. Alguém que o ensinara a ser digno e valente, mais que qualquer um que aquele cais já sustentara. Fora criado por um pequeno velhinho como ele, perdido em sua própria vida, mas sábio por sua própria trajetória. Uma coisa que o jovem homem sempre recitava, era o quão épico queria que sua história fosse contada, o quão, lembrada de grandes feitos e hereditária daquele que mesmo sem o mesmo sangue, o acolhera. Isso era o que o fazia seguir em frente. Embora sua aparência pouco digna de um renomeado marinheiro, já enfrentara os mares em busca de novas esperanças para seu povo, para seus desconhecidos, porém não menos que humanos e sentimentais. Em épocas como esta, certa melancolia o invadia por inteiro e apenas o passar sereno de seus dedos sujos no artesanal e meticuloso anel de ouro, enquanto todos tinham um grande banquete de despedida com suas respectivas famílias, o satisfazia.
Mais um olhar para o céu e mais uma lembrança. Era uma noite mais escura comparada às outras no verão da costa em um dos becos da cidadela. Lá estava, solto no chão, arremessando uma pequena bola contra a parede. Gostava daquele lugar por este motivo em especial, não havia alguém que o pudesse julgar por sua aparência esdrúxula ou inferioridade por não ter um lar. O lugar era próximo de uma das tavernas coloniais, então já havia visto de tudo. Ria sozinho ao lembrar-se do caso em que, cego pelo dinheiro e poder, um homem cordial fora beber até perder os sentidos no pequeno estabelecimento e acabou no rodapé da rua, sufocado por seu próprio vomito. Era trágico, mas mais que sua vida miserável, não podia. Por isso ria. Mas daquela noite nebulosa, nunca esqueceria. Ao cansar de seu pequeno jogo de arremesso, percebera um pouco distante dali, gritos suaves de uma dama. Intuitivo pelos valores dados pelo velhinho, hoje já morto, porém vivo em sua alma, fora checar o que estava acontecendo. Em frente ao bar, um pequeno grupo de estrangeiros que passavam pela cidade mexia com a delicada morena de cabelos cacheados, contra sua vontade. Ao olhar de todos e ao fazer de ninguém, ficara indignado e pôs-se a ajudá-la. Embora as habilidades que a rua trouxera para o jovem fossem de grande peso, não conseguiria derrubar tantos, sendo assim, espancado até a perda de sua consciência antes de ouvir um ultimo grito suave, feminino, porém desesperado – “Deixem-no em paz!”.
Ao retomar sua sanidade, já era de manhã e não sabia direito o que havia acontecido na noite anterior. No estado que estava, não sabia nem mesmo se era a noite anterior. Estava em sua barraca na praia, no pequeno colchão ao lado do lampião em cima do livro que há tanto tempo, deixava em branco. Muito dolorido, colocou-se sentado olhando em volta, não tinha mais ninguém e não fazia idéia de como fora parar ali, até que em mais um olhar, encontrou uma nota em cima de suas páginas:
- "Agradeço-o gentilmente e calorosamente por me defender. Por outro lado, peço meu humilde perdão por ter se machucado.
Obs: Continue a recitar, pois figura tão bela quanto a sua, há de ser reconhecida”
.
Não podia negar que não ficara emocionado com as palavras e o tratamento que a mulher que naquela noite havia defendido o dera. Deitou-se novamente e com a cabeça pulsando, jogou os braços para o lado e sentiu uma pequena peculiaridade circular. Estranhou e logo virou-se rapidamente, defrontando-se com um pequeno anel dourado. Demorou um pouco, mas finalmente entendera. Era o anel da jovem dama que talvez pudesse o ter esquecido ali. Passaram-se dias esperando pela volta em busca do anel por parte da mulher que o havia cuidado, mas nada. Aquilo estava em suas mãos e, como uma promessa, haveria de devolver a qualquer custo. Fora neste momento, que o jovem homem colocara como pingente junto a sua corrente, dada como amuleto por seu “pai”, aquele que o cuidara sempre.
E mais um suspiro, estava de volta à realidade. Seus dedos caminhavam mais uma vez pelo o anel e sabia que a peça o dava segurança. Desde o ocorrido, o loiro já partira em diversas jornadas em frente ao mar e, como depósito de confiança, criava forças para voltar e devolver o anel para sua amada. Aquela que um dia, a única pessoa além do velhinho, cuidara daquele que nunca teve nada. Então, junto ao colar, colocou o anel sob seu peito, embaixo de sua vestimenta e pôs-se a subir na grande nau e esperar pelos outros aventureiros. Não muito tempo depois, estavam todos a bordo, acenando para suas famílias e entre choros na incerteza de que podia não vê-los novamente, estavam mais uma vez de costas para o sertão, indo em frente para a imensidão.
Tinham como objetivo na longa expedição, explorar a costa em busca de novas riquezas e literaturas que enriquecessem seu povo. De cidade a cidade, pouco a pouco, o sucesso era presente na bravura dos grandes homens do pequeno vilarejo. O jovem homem, por sua vez, não tinha motivação para descobrir novas artes e técnicas para sua região, e sim, para aperfeiçoar-se em sua própria técnica de escrita e assim sendo, dar continuidade ao único pedido que aquela, descoberta por sua amada, o fizera. Dar continuidade as suas linhas. Aquilo o ecoava na cabeça, e anos, sem inspiração para ao menos fazer um relato no livro de sua trajetória na busca pelo conto épico, desde seu encontro com a figura bela, já tivera preocupação de não caber tantas especificações sobre como, pensando nela, sua vida ficara mais viva. Assim descobriu que estava apaixonado. A partir do momento que, em um dia qualquer, um dia perdido em que por intuição, decidiu de sair do pragmatismo e ver o que estava acontecendo, achou o fator que matara a vida como o conhecia e iniciaria o começo de uma nova vida esperançosa para o jovem: ela.
Ao passar de cada cidade, sempre visitava as bibliotecas da região, em busca de mais enriquecimento para a obra dedicada a sua amada. Já tinham meses que estavam no mar, longe de casa e mesmo assim, o brilhar do anel de ouro o entorpecia mais que qualquer aurora boreal que já presenciara no mar noturno. Estavam prontos para a volta, reabastecidos em uma pequena cidadezinha litorânea no norte da costa, visavam os mares sulistas, os mares de casa. O garoto fazia a ronda noturna em cima do mastro principal e, sozinho, perdido em devaneios, começara a recitar para sua amada desesperadamente, sabendo indiretamente que, possivelmente algo poderia vir a acontecer:

Minha vida não foi um romance...
Nunca tive até hoje um segredo.
Se me amar, não digas, que morro
De surpresa... De encanto... De medo...

Minha vida não foi um romance
Minha vida passou por passar
Se não amas, não finjas, que vivo
Esperando um amor para amar.

Minha vida não foi um romance...
Pobre vida... Passou sem enredo...
Glória a ti que me enches de vida
De surpresa, de encanto, de medo!

Minha vida não foi um romance...
Ai de mim... Já se ia acabar!
Pobre vida que toda depende
De um sorriso... De um gesto... De um olhar... De você.


Seja qualquer crença mítica ou espiritual que os humanos podem seguir, seja qualquer falta de fé que outros podem ter, porém aquela intuição veio a calhar. Após terminar seu recital, observou nuvens carregadas, vindas em direção à nau e em um grito, avisou a todos o que estava por vir. A fúria dos mares, naquela noite não estava passageira, veio para matar. Imensas ondas de um lado invadiam o navio em um destruir estrondoso. Imensas ondas de outro, levavam aquilo enfraquecido. Trovões gritavam a ira dos deuses, e os gritos dos homens, ecoavam cada vez mais baixo diante de tão poderosa ira natural. Já sem esperança, o jovem homem colocara suas páginas debaixo de sua manta. Com a corrente e o anel em mãos, o ventilar supremo cortando seu rosto, gritava contra o mundo – “Vida, venha e prepare o melhor para me derrubar!”. E ao som dessas palavras, a onda raivosa quebrara o convés ao meio, levando toda sua lírica épica, ao fundo do mar.
A tempestade finalmente passara, e apenas vestígios da engenharia da nau boiavam sob o mar. Novos e inocentes raios de sol invadiam as partes antes cobertas por trevas e tempestade. Escutavam-se barulhos de gaivotas e as ondas na pororoca fazendo um barulho sereno. Era muito difícil saber o que estava acontecendo. Barulhos distantes da trovoada passada ainda eram escutados com tremor. O sol estava caloroso e generoso, chegando a incomodar aqueles expostos a tal claridade. Percebia-se também que ao passar do tempo, tudo ia se acalmando e o barulho das ondas chegava mais perto e perto. Quase sem o incomodo daquele sol até então escaldante, sentiu a primeira sensação da maré alta que durante sua vida inteira, molhara seus pés, agora em seu rosto. Abriu os olhos leves e pesadamente bem devagar. Um pisque aqui, um pisque acolá, tentando acostumar-se com a luz, mesmo que ao final da tarde, já era baixa no crepúsculo visível. Estava vivo? A primeira coisa que pensou. Seu corpo doía e pesava mais que toneladas de cargas que já houvera descarregado das naus naquele pequeno porto. Em mais um processo lento, colocou-se de pé, meio que se rastejando e cambaleando em direção a cidade banhada por aquela praia que naufragara. Já era noite e o encontro da primeira casa rural, bateu na porta pedindo por ajuda. Fora bem acolhido e acabara dormindo por dois dias seguidos.
Melhor fisicamente, ao acordar do segundo dia, em um primeiro gesto, colocou a mão em seu peito e viu, que nada lá tinha. Assustou-se e levantou-se rapidamente, deixando-o com uma incrível dor de cabeça, até que ao encontro do proprietário que acabara de entrar no quarto, em um gesto, indicara o colar, o anel e os manuscritos do jovem homem em cima da mesa, para seu alívio. A recepção na casa do casal de agricultores, fora calorosa deixando o garoto com seus eternos agradecimentos pela hospitalidade, novas roupas e informações. Sua cidade natal, não ficava muito distante dali, mas na caminhada, seria uma grande jornada pela frente.
Antes de sair dali, daquela pequena cidade em que jurou estar morto, voltou para a praia e observou o nascer do sol. Era tudo tão lindo, mas lembrara do desastre que ocorrera dias atrás e tudo de repente tornava-se tão sombrio. Encarou aquilo como mais um desafio vivido e, com seus pensamentos a serem preenchidos em mais algumas páginas em branco debaixo dos braços, suas duas relíquias perto de seu coração e a determinação de ainda reencontrar sua amada, fizera o amor suspirar alegre por ter finalmente percebido o que realmente o havia acontecido: sobreviveu a um ataque dos mares enquanto nenhum dos outros conseguira. Além disso, sobreviveu carregando aquilo que era mais importante em sua vida. Seu passado, feito a corrente dada por seu pai, seu presente, feito seus manuscritos que descreviam seu passado catalisador de seu presente e ainda a terminar com linhas de seu futuro e por fim, o anel de sua amada. Seu amuleto mais precioso que o fizera ter gosto de viver novamente, que o fizera crescer, ter determinação em encontrar sua dona novamente e presenteá-la com a peça perdida. Sabia que apenas havia sobrevivido em meio de tantas tempestades pelo amor que possuía em seu peito àquela figura de cabelos encaracolados, o sorriso mais sincero e olhos penetrantes. Sabia que essa era sua felicidade.
Em meio a mais um suspiro e ao olhar do nascer do sol litorâneo, virou-se de costas para a imensidão e seguiu pelo sertão de volta pra casa, de volta para o seu amor, de volta para mais algumas palavras com o túmulo de seu pai, de volta para a redenção. Esse era seu conto épico, esse era o jovem homem que fora tomado pelo amor e guiado pelo mesmo, continuava com um sorriso no rosto em meio de tantas dificuldades de sua vida. Essa jornada, de volta a casa, era finalmente, suas ultimas linhas como poeta sonhador. Ele sabia disso, era sua intuição.

Afinal, um tigre nunca muda suas listras!

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Paixão Verde




Você não me conhece muito bem, mas quando conhecer, vai ver que tenho tendência de falar e falar sobre como escrever é difícil para mim. Mas isso, isso é a coisa mais difícil que eu já tive que escrever”.


Na procura, perco-me. Na nostalgia, vivo um novo momento. No fechar dos olhos, vejo o que sinto. E no que sinto, enlouqueço. Enlouqueço de corpo e alma e não sei bem porquê, mas no momento, ao som do velho violão e a brisa incomum da região, um pouco de paz me reina. Tento não me envolver, porém apenas no pensar do envolvimento, acabo fazendo parte de um todo. Sou o arco, tu a flecha. Sou o que fica, e tu és o que segue. Coube a mim te segurar por um período e guiá-la em uma direção, cabes a tu ir de cabeça. Como a dependência de um para o outro, dependo-me da exctasy do teu olhar, e lançado, entro onde for necessário para prover um bom futuro como uma rota escolhida por aquele que a lançou. Sou o momento, meu coração é a verdade, e perdido na verdade procuro por aquela que me guie. Na ideologia da procura, esperanças de resultados marejam meus olhos. Lágrimas tristes e pesadas denotam minha falha. A falha da incerteza do que é certo e errado. Cabisbaixo novamente em meio da chuva urbana sinto-me solto, porém impossibilitado para caminhar . Sinto-me leve, porém pesado demais para continuar e no dizer de palavras perigosas como estas, volto a chorar. Mais um pisque e mais uma visão, dessa vez, clara como o luar, um sorriso esboça-se e nem faço idéia do que pensar. Um campo verde, calmo e sereno aparecera, e sem significado algum, pôs-me em cegueira. Cego, levantei-me e fui em busca de um sinal, procurando ao redor do mundo por aquilo que me fizera tanto mal e, sem resposta, pus-me a descansar em qualquer sarjeta de uma pequena cidade, desistindo de amar.
Mudara o tempo, e com o sol escaldante ressaltando a longa barba, mais uma linha havia de ser preenchida. Sou o arco sem a flecha, sozinho em meus devaneios desinteresso-me de uma vida. Mais uma caminhada diária viria, agora visto como qualquer largado esquecia-me do plano de quem seria um dia. O amor me fez assim, e as linhas incertas tomavam o rumo das linhas racionais, porém do fundo do meu coração, saberia que aquela seria minha obra prima. Como uma promessa, contornava a cidade diariamente, em busca de novos horizontes que salvassem minha problemática mente. Agora, deitado em um campo, apreciava o céu, a imensidão que antes azul, se tornara verde. Meu mundo era verde e depois de tantos anos não sabia nem ao menos o porquê. O primeiro contato com o corpo de uma mulher, definira o final da vida como eu a conhecia. De menino, virei um homem, um homem prematuro, porém convicto. Como um felino, andava numa caça solitária e incessível em busca da felicidade. Neste momento, reconhecendo a brisa do campo, defino o final da vida como eu a conheço, porque sou forte. Um guerreiro nato.
Com fogo nas veias e um mundo aos meus pés esperando que eu o sinta. Cada vez mais astuto e forte. Cada vez mais homem. De prematuro para lobo. Neste mundo sem amor, não tenho medo da morte, porque ela é o elo. O elo que me entristece em saber que nada tenho, mas anseio conquistar. Ponho-me novamente de pé e dou mais uma olhada ao redor, a mesma paisagem de todos os dias, a mesma imensidão verde que me domina. Continuo a caminhar e na pequena estradinha de terra em direção ao meu aconchego, na encruzilhada do amor, fraquejo e acabo a apagar.
De baixo da árvore que marca o centro das quatro rotas, lentamente abro meus olhos e sem reação me deparo com o rosto mais angelical e sedutor que o homem já vira, porém, não é isso que me chama atenção. A mesma tonalidade do verde de minha vida, que invadira meu coração de uma forma que me fizera esquecer das outras tonalidades, simplesmente sumira. Tudo parece tão colorido, o céu tão azulado, as flores tão amarelas e seus olhos tão... Verdes. Com aquela mudança drástica em minha vida, simplesmente não consegui tirar a fixação daquele olhar penetrante. Tantas cores me chamando para que eu as sinta e a mais pragmática, mantendo-me na prisão das memórias. Um turbilhão de idéias e pensamentos me surgem a cabeça e apenas consigo ter foco em um deles. A noite a qual já havia esquecido. A noite a qual desesperadamente comecei minha jornada pela procura do sinal desconhecido, hoje, convictamente encontrado. Finalmente, minha flecha está lançada e meu arco relaxado. Encontro um mar de esperanças naqueles olhos de esmeralda e sossegado, com um mundo colorido à frente, fixo-me apenas naquela cor que um dia jurei ser meu pecado, e hoje, minha salvação, suas eternas imensidões apaixonadas verdes!
Esse é o final da vida como eu a conheço, de prematuro para lobo, de lobo para homem, de homem para um universo de sentimentos que me definem como humano. Um humano apaixonado.

Afinal, um tigre nunca muda suas listras!

domingo, 25 de julho de 2010

Devaneios



"Enquanto você se esforça pra ser, um sujeito normal e fazer tudo igual..
Eu do meu lado, aprendendo a ser louco, Um maluco total, na loucura real
Controlando a minha maluquez, misturada com minha lucidez
Vou ficar, ficar com certeza maluco beleza, eu vou!
" Raul Seixas

Procurei durante meses para descobrir quanto ao preenchimento de minhas linhas brancas, solitárias.
Assim como um eu te amo hipócrita lançado de alguém simplesmente por gentileza, confortando o ego e a auto-estima, deduzi, que apenas gentileza com minhas linhas fosse o suficiente para preenchê-las.
Sempre tive a opção de escrever sobre um romance, sobre uma fábula ou até mesmo sobre contos épicos. Mas opção não se concretiza em solução.
Tanto tempo sem ao menos manter minhas mãos sobre as teclas com aquele olhar vazio e a cabeça cheia. Tanto tempo sem ter aquela sensação comparada com um trago em um cigarro, mas desta vez totalmente nociva. Tanto tempo sem me liberar, sem ter medo.
Minha procura em busca de palavras sempre me conduzia a um mesmo ponto. Por que estou aqui? Por que me falta fôlego em mostrar a realidade? Por que ainda não estou pronto para expô-la como muitas vezes fiz em tentativas incansáveis de uma incerta procura por paz?
Esse ponto me intriga. Palavras dependem de vivências e experiências do cotidiano para fluírem, sendo assim, a unidade tempo sempre se sobressaindo em momentos como esse mostrando que a cada segundo fazemos historia, conhecimento, experiência e vivência, pelo motivo de estarmos vivendo o momento, pelo motivo da vida ser exatamente agora!
E por qual motivo minhas linhas continuavam sozinhas?
As pessoas possuem perguntas eternamente retóricas em suas vidas as quais, mesmo o quão irônico sejam, não conseguem responder. Algumas condizem com seus passados, outras com seus presentes e outras com o que ainda está por vir.
Minha retórica consiste no fato de sempre procurar por algo novo, sempre deixar marcado em minhas linhas realidades confusas e distorcidas, e a partir do momento em que elas não entram em harmonia com minha essência, se tornam apenas memórias de um passado próximo em que a vontade foi grande.
Mas e agora? O agora em que estou exatamente pensando nas próximas palavras e idéias sem mesmo saber o porquê ou o quê estou tentando transmitir.
Às vezes busco transmitir algo subjetivamente em cima do calor de minhas emoções, com um propósito em que cada leitor se conforte com sua própria definição condizente à situação em que vive.
Palavras pesam e cada uma delas, depois de formuladas, perdem seu significado dentro de uma idéia, a qual se mostra tão criativa e pouco experiente. Afinal, àqueles que escrevem, experiência se limita nas palavras, contudo se mostra irrelevante na idéia.
Normalmente uma idéia é utópica, porque se condizente com a realidade se torna um plano. E de que vale experiências enquanto buscamos o perfeito?
Encontro-me espiritualmente conectado com minha idéia e cada vez mais idealizo a resposta exata de minha retórica. Idealizo um dilema que simples e facilmente seria respondido em vontade e não vontade. Mas lá se vai... Lá se vai minha idéia tentando preencher quanto minha alma quanto minha escrita futilmente de uma máscara criada para um desconcerto social.
A vida, o raciocínio humano não procede. Se vontade baseia-se em escolhas e escolhas em conseqüências, há muito mais do que apenas querer e não querer.
Acho que no momento em que escrevo, descubro minha retórica. Minha retórica é crente e frágil, a qual cegamente acredita que na hora certa as coisas irão proceder, as linhas serão escritas numa espécie de louco devaneio.
Mas de que adianta se são apenas por minutos ou horas? É essa a sacada da vida! Perguntas e perguntas, uma atrás da outra, uma tentando prevalecer à resposta dada à outra, como um ciclo. Um ciclo pragmático que mantém o homem vivo, o homem ansiando pela próxima e pela próxima pergunta até o fim de seus dias, em que, tendo finalmente a resposta para sua retórica, olha para os lados e pensa: apenas creia na simplicidade das perguntas e a formulação das respostas determinantes para sua trajetória do próprio sentido da vida, da própria realidade vivida.
E neste momento, a morte se mostra de suma importância. Importância tal que é diagnosticada como catalisadora de sua oposta: a vida. Catalisadora de um ciclo interminável na procura incansável pela resposta através de frutos pessoais, formando finalmente um social. Entendendo finalmente, a essência da vida, o fator comum entre bilhares de planos e metas, determinando um novo começo. Um começo harmônico em que sua trajetória só se definirá quando duas essências similares concordarem e formarem uma só, até que, globalmente, todas se juntem e formem o verdadeiro nirvana, a verdadeira e tão procurada paz.
A paz pessoal e finalmente a paz social, o doutrina humana, a doutrina em que teremos mais um desses devaneios, e desta vez, coletivo, pronto para construir uma nova sociedade.
Uma sociedade politeísta, sendo cada um de nós deuses de nossos próprios caminhos, nossos próprios rumos e finalmente, nossas próprias linhas!

Afinal, um tigre nunca muda suas listras

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Capitão da Areia




Solto e flagelado,
Caminho ao meu lado.
Olho para um lado, olho para o outro,
Incríveis motes de areia invadem minha cabeça em um sopro.
Sopros gelados, sagazes e sem rumo,
Os quais iam e vinham, modelando o céu noturno.
Afinal, a qual destino seguia,
Se nem ao menos um havia?
Exausto e esgotado observava o cair do sol no horizonte,
Lutando e quebrando qualquer barreira, dia após dia, por águas de monte.
Já fazia algum tempo que estava ali em pura divergência,
E o fabuloso manto cordial, cada vez mais ia à decadência.
De que adianta fidalgo ser,
Se submeter minha vida me fez parar no meio de um deserto, pronto para morrer?
O pobre do camelo diante de seu próprio peso, agora ganhara leveza,
E demasiado em minha vida, a recordava com tristeza.
Houve um dia em que rodeado de amigos e parentes,
Soube tirar um lindo sorriso, enfatizando meus dentes.
Dentes até então limpos e inibidos.
Inibidos de ofensas e híbridos.
Híbridos de uma criança que sem malícia, ganharia seu passaporte na barca,
Mas para o meu azar, acabei me tornando patriarca.
Agora meus dentes já não brilhavam mais e sim ofuscavam!
Ofuscavam meu sorriso e aquela imagem que quando pequeno, loucamente projetavam!
Jurando pura consciência, decisões foram tomadas.
Decisões que no momento, manteriam minha família comportada!
Conseqüências vieram,
E vestindo o belo manto, assistiram-me afundando e nada fizeram.
Caído na imensidão arenosa,
Via-me cego por não perceber o quanto minha amada tornou-se chorosa.
Se romper ideais por novas medalhas refletiu no que sou,
Choro por minha alma em cima da tão sonhada cortesia, punindo aquele que me usou.
Mais um sopro passou e a noite agora com louvor,
Deixava-me cada vez mais convicto da perda de meu amor.
Fechei os olhos e procurei sonhar,
Sonhar um sonho que era, no momento, difícil de acreditar.
E ser humano até o fim, errei uma ultima vez,
Pensando apenas em mim e rindo como um Cortez!
De pé outra vez, sigo meu caminho como um tigre e suas listras,
Flagelado e solitário, buscando um novo significado para um eu maniqueísta!
Dono das areias, me tornei.
Denominado capitão, morrerei!


Afinal, um tigre nunca muda suas listras!

quarta-feira, 2 de junho de 2010

To remember and let it go



Há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia” (William Shakespeare).

Assim é nossa vida e assim foi o final de Lost: um verdadeiro tapa no cérebro dos intelectualóides de plantão.

Neste mundo materialista em que vivemos, em que tudo é cartesiano, é difícil para muitos aceitar a mensagem poética do último episódio de Lost.

Todos estávamos sedentos por respostas lógicas para tantas questões físicas e metafísicas com as quais fomos bombardeados ao longo destes 6 anos. Fomos habilmente levados a isso pelos criadores da série, que souberam magistralmente como alimentar nossa curiosidade. Eles nos instigaram a formular as mais complexas teorias para tentar explicar o inexplicável. Em nosso afã de entender, não medimos esforços, afinal, mexeram com nossos brios. Jamais nos subestimaram, sempre apostando em nossa capacidade criativa. Sempre nos surpreenderam com poucas respostas e novos enigmas a cada episódio, cada temporada.

Assim, ficamos tão obcecados com o lado científico da série, tão bem representado pela Iniciativa Dharma, uma paródia de nossa desesperada tentativa de controlar tudo, que acabamos relegando o lado humanístico da trama.
Olhando agora, em perspectiva, podemos lembrar que ao final de cada episódio, quase sempre eram mostradas cenas dos losties se reconciliando, se reencontrando, se ajudando, se perdoando. Este era o real cerne desta obra, que foi uma verdadeira ode à capacidade humana de se superar frente às adversidades. Apesar de toda nossa imperfeição, ou talvez por causa dela, ansiamos tanto por redenção. Era justamente o que cada um a seu modo buscava durante a saga. Acertando em alguns momentos, errando em outros, todos foram galgando seus obstáculos em busca da própria verdade. Como estavam perdidos, era cada um por si. A exceção de Jack, o mais solidário de todos, que logo profetizou: “Se não vivermos juntos, morreremos sozinhos”. E ele não morreu só.

A ilha era uma metáfora da vida de cada um, todos solitários e isolados como uma ilha. Todos perdidos, tanto em suas vidas quanto em suas mortes. Todos com a mesma luz que emanava do coração da ilha em seus próprios corações, mas também com o mesmo lado sombrio em suas almas, representado pela fumaça negra. Uma síntese de nossos eternos conflitos: Bem x Mal, Luz x Trevas, Razão x Emoção, Saber x Crer.
Até que finalmente, ajudados por Desmond, que aliás foi o responsável por provocar a queda do Oceanic 815 na ilha, os losties foram descobrindo uma verdade absoluta, comum a todos: o Amor. Este era o elo que os unia e nos uni a todos. Ele próprio teve um pequeno vislumbre disso quando descobriu que para se situar no tempo precisava de uma constante, que em seu caso era Penny, o amor de sua vida. Assim como reuniu todos na ilha, coube a ele a tarefa de reuni-los novamente no além. À medida que cada um ia se lembrando das experiências de amor que vivenciaram juntos na ilha, tudo ficava claro e todo o sofrimento por que passaram tornava-se insignificante. O Amor era a catarse final que restituiu suas consciências e permitiu a redenção de todos, numa grande confraternização.

Sim, amigos, o bom e velho Amor, tantas vezes ridicularizado e banalizado, mas que sempre triunfa, como exaltado pelo apóstolo Paulo em sua Primeira Epístola aos Coríntios, singelamente conhecida como Hino à Caridade ou Hino ao Amor:
Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse Amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom da profecia, e CONHECESSE TODOS OS MISTÉRIOS E TODA A CIÊNCIA, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse Amor, nada seria... O Amor nunca falha...

Ou mais recentemente, como já pregavam os Quatro Evangelistas de Liverpool: “All you need is love” (The Beatles).

É brega, é clichê, mas é a mais pura verdade.

Como eu disse anteriormente, como os autores sempre tiveram a capacidade de nos surpreender, não poderia haver final mais surpreendente que este.

Valeu a pena cada madrugada em claro, cada neurônio queimado, cada lágrima derramada.

Lost, que sempre esteve em nossas mentes, agora estará definitivamente em nossos corações.

I'll see you in another life, brothas!

terça-feira, 11 de maio de 2010

Perdido em meus devaneios




Na triste e linda zona leste,
Sento no portão e vejo o movimento,
Varais segurando ternos, ganhando movimento com o vento, os quais mais pareciam com marionetes.
E me vem na cabeça, será aquela uma representação de nosso próximo vereador?
Aquele vereador que jura estar sendo induzido por sacramento?
É ai que me deparo com uma dupla de velhinhas caminhando ladeira acima com seus carrinhos de feira e balbuciando a respeito da nova nora.
Uma brisa gelada passa por meus cabelos dourados de uma forma que me faz retroceder um pouco de minha vida.
De começo, ouço o barulho da fricção de uma roda com o chão,
De repente, me vejo encima de meu fusca azul de infância, sentindo essa mesma brisa,
E quando paro para perceber, lá estou eu, de pé, descendo a mesma ladeira íngreme, a qual as velhinhas subiam com esforço, como um jato, com meu skate.
A brisa retorna diante de meu rosto e mais uma vez meus cabelos, até então longos, são jogados para trás. Jogados para trás, como esta página de minha vida.
Estou de pé, porém não mais correndo.
Um suor bem humano desce por minhas costas e me deparo com uma platéia esperando por meu discurso.
Olho para a esquerda e vejo a serenidade da Tristão da Cunha.
Olho para a direita e vejo o fim da ladeira de minha infância.
Olho para frente e vejo o mesmo terno, agora vestido por meu avô, balançando a cabeça positivamente e dizendo em voz alta ao meu encontro: “Estou orgulhoso de você, filho!”.
Uma lágrima escorre por minhas bochechas e em um piscar de olhos, lá estava eu, enfim formado!
Uma nova batalha viria pela frente, mas perdido em meus devaneios, me vejo novamente sem foco no portão da casa 106.
Não era certo quanto tempo tinha se passado ali, porém o movimento estava diferente.
O que antes era uma brisa de outono tornou-se uma ventania de inverno.
Não havia mais ninguém por ali, com exceção de um senhor barbudo tomando seu pileque.
Retomei minha atenção para aquele homem que, solitário sorria em meio da ventania.
Intrigado, me vejo novamente rodeado de pessoas em volta de uma longa mesa, as quais discutiam a respeito de que lugares sentariam.
Uma ou outra dizia tanto faz, outras pediam para sentar ao meu lado, e quando realmente percebi, lá estava eu, diante de meu império que voltando à visão do homem, parecia distante.
Neste momento, outra lágrima escorre em meu rosto e inexplicavelmente como o velho solitário, começo a rir em meio do frio causado pelos ventos.
Trocando olhares, o homem levanta seu caballito e me faz um aceno de saúde com a cabeça.
Retribuo com um sorriso e ao final de seu extenso gole, o homem cai ao chão e tem sua visão focada no céu, que agora tem suas nuvens se abrindo para finos raios de sol, que apenas o iluminam.
Mais uma vez me perco e vejo todos aqueles que sentavam naquela mesa, caminhando para a saída, um a um.
E quando percebo, eles já não estão mais lá.
Saio caminhando pela madrugada fria e chuvosa aos sons de Uriah Heep relembrando frases e momentos que marcaram a história.
Pelo menos, minha história...
Neste momento, sinto um leve sorriso de canto se formando em minha expressão.
É a figura de um ídolo após uma superação pessoal dizendo com os olhos marejados: “Esta parte, esta pequena parte da minha vida, se chama felicidade”.
E voltando ao meu foco, ouço ecoando em meus ouvidos naquela noite deserta e chuvosa: “It’s raining outside, but that’s not unusual, but the way that I’m feeling, is becoming usual”.
Lá estava eu em um paradoxo.
Volto a olhar para a praça e vejo o velho homem respirando fundo e lentamente olhando para aquela fresta entre as nuvens.
O mesmo fecha os olhos e com uma voz rouca e fraca diz: Esta parte, esta pequena parte da minha vida... se... chama...
Um turbilhão de pensamentos invade minha cabeça, porém só um, de fundo, se sobressai diante os outros: “I guess you could say the clouds are moving away. Away from your days and into mine”.
E finalmente foi ai que me dei conta que o paradoxo vivido naquela madrugada é o mesmo que estava vivendo neste momento. Deparava-me com o meu próprio final, a minha própria incerteza de que rumo iria levar.
Me via olhando para minha própria morte.
E em mais um piscar de olhos vejo aquela tarde serena e clara novamente.
A dupla de velhinhas voltava com os carrinhos cheios de frutas e comentando sobre a decoração do quarto do bebê que estava por vir.
Desta vez, aquele eu, velho e barbudo, olhava para este eu, jovem e imberbe, com minha bandeira do velho Raulzito em suas costas, e seus lábios pronunciavam: “A morte, surda, caminha ao meu lado e eu nem sei em que esquina ela vai me beijar”.
Outra brisa agora morna, passa em meus cabelos não mais cumpridos, e me faz despertar.
Vou aprender a tocar violão, vou me apaixonar. Vou fazer um som, para minha amada sempre lembrar!
E esta parte, esta pequena parte de minha vida, se chama felicidade!

Afinal, um tigre nunca muda suas listras!

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Para onde tenha sol, é pra lá que eu vou!




"Eu estou consciente e tenho o poder de pensar como eu quero. Tenho o direito de pensar no que eu quero para o meu próprio bem. Eu tenho e posso impor ao meu mundo interior tudo aquilo que eu quiser. E quero me sintonizar com o melhor. Esqueço, a partir de agora, a pessoa que eu fui, sobretudo meus vícios de pensamentos. Penso apenas na paz. Penso nela, permitindo que seu perfume toque minha aura e atinja todas as áreas da minha vida, todos os cantos do meu corpo. Penso na paz com uma mensagem de ordem e equilíbrio perfeito.

Deixo fluir na minha cabeça a consciência do 'eu posso'. Eu posso estar na paz. Impor essa paz é praticar o meu poder pessoal com responsabilidade divina, obtida por herança natural. O melhor para mim é um grande sorriso no peito. É a felicidade barata e fácil a que tenho direito. É tão simples pensar que o melhor está em mim! A beleza está em mim. A suavidade está em mim. A ternura, o calor, a lucidez e o esplendor das mais belas formas do universo estão em mim. Aí eu me abro inteiro, viro do avesso e sinto que não há fronteiras nem barreiras para mim. Sinto que o limite é apenas uma impressão. Sinto que cada condição foi apenas a insistência de uma posição. Sinto que sou livre para deixar trocar qualquer posição por outra melhor. Sou livre para descartar qualquer pensamento ruim, qualquer sentimento ou hábito negativo, qualquer paixão dolorosa. Porque eu sou espírito. Sou luz da vida em forma de pessoa.

Ah, universo, eu estou aberto para o melhor para mim. Eu sei que muitas vezes sou levado por uma série de pensamentos ruins. Mas é porque eu não conhecia a força da perfeição. Eu não conhecia a lei do melhor. Agora eu me entrego, me comprometo comigo, com o universo e contigo. Vou manter a minha mente aberta. Esse momento me desperta, me traz a inspiração ao longo do dia onde se efetiva a luz que irradia para quem insiste no próprio aperfeiçoamento.

Não quero pensar nas minhas fraquezas. Quero olhar bem fundo nos meus olhos e ver como eu sou bonito, como fiz e faço coisas maravilhosas e como o meu peito está cheio de vontade. Eu assumo a responsabilidade sobre essas vontades e me projeto com força nessa identidade de saber que eu posso, sim, fazer o melhor. Despertar o meu espírito é viver nele. É ter a satisfação de ser eu mesmo. É poder ser original, único, pequeno e grande ao mesmo tempo. Sei agora que o melhor está a meu favor. Meu sucesso, aliás, é o sucesso de Deus que se manifesta em mim como pessoa em transformação. Eu sinto como se tivesse sentado nessa cadeira da solidez universal porque eu estou no meu melhor. Porque sou o sucesso da eternidade, porque estou há milhares de anos seguindo e não fui destruída. Porque o universo garante. Grito dentro de mim mesmo: de todas as coisas da vida, o melhor ainda sou eu. O melhor sou eu!" Luiz Gasparetto


Não lembro em que momento percebi que viver deveria ser uma permanente reinvenção de nós mesmos — para não morrermos soterrados na poeira da banalidade embora pareça que ainda estamos vivos.
Mas compreendi, num lampejo: então é isso, então é assim. Apesar dos medos, convém não ser demais fútil nem demais acomodada. Algumas vezes é preciso pegar o touro pelos chifres, mergulhar para depois ver o que acontece: porque a vida não tem de ser sorvida como uma taça que se esvazia, mas como o jarro que se renova a cada gole bebido.
Para reinventar-se é preciso pensar: isso aprendi muito cedo.
Apalpar, no nevoeiro de quem somos, algo que pareça uma essência: isso, mais ou menos, sou eu. Isso é o que eu queria ser, acredito ser, quero me tornar ou já fui. Muita inquietação por baixo das águas do cotidiano. Mais cômodo seria ficar com o travesseiro sobre a cabeça e adotar o lema reconfortante: "Parar pra pensar, nem pensar!"
O problema é que quando menos se espera ele chega, o sorrateiro pensamento que nos faz parar. Pode ser no meio do shopping, no trânsito, na frente da tevê ou do computador. Simplesmente escovando os dentes. Ou na hora do desafeto, do rancor, da lamúria, da hesitação e da resignação.
Sem ter programado, a gente pára pra pensar.
Pode ser um susto: como espiar de um berçário confortável para um corredor com mil possibilidades. Cada porta, uma escolha. Muitas vão se abrir para um nada ou para algum absurdo. Outras, para um jardim de promessas. Alguma, para a noite além da cerca. Hora de tirar os disfarces, aposentar as máscaras e reavaliar: reavaliar-se.
Pensar pede audácia, pois refletir é transgredir a ordem do superficial que nos pressiona tanto.
Somos demasiados: buscamos o atordoamento das mil distrações, corremos de um lado a outro achando que somos grandes cumpridores de tarefas. Quando o primeiro dever seria de vez em quando parar e analisar: quem a gente é, o que fazemos com a nossa vida, o tempo, os amores. E com as obrigações também, é claro, pois não temos sempre cinco anos de idade, quando a prioridade absoluta é dormir abraçado no urso de pelúcia e prosseguir, no sono, o sonho que afinal nessa idade ainda é a vida.
Mas pensar não é apenas a ameaça de enfrentar a alma no espelho: é sair para as varandas de si mesmo e olhar em torno, e quem sabe finalmente respirar.
Compreender: somos inquilinos de algo bem maior do que o nosso pequeno segredo individual. É o poderoso ciclo da existência. Nele todos os desastres e toda a beleza têm significado como fases de um processo.
Se nos escondermos num canto escuro abafando nossos questionamentos, não escutaremos o rumor do vento nas árvores do mundo. Nem compreenderemos que o prato das inevitáveis perdas pode pesar menos do que o dos possíveis ganhos.
Os ganhos ou os danos dependem da perspectiva e possibilidades de quem vai tecendo a sua história. O mundo em si não tem sentido sem o nosso olhar que lhe atribui identidade, sem o nosso pensamento que lhe confere alguma ordem.
Viver, como talvez morrer, é recriar-se: a vida não está aí apenas para ser suportada nem vivida, mas elaborada. Eventualmente reprogramada. Conscientemente executada. Muitas vezes, ousada.
Parece fácil: "escrever a respeito das coisas é fácil", já me disseram. Eu sei. Mas não é preciso realizar nada de espetacular, nem desejar nada excepcional. Não é preciso nem mesmo ser brilhante, importante, admirado.
Para viver de verdade, pensando e repensando a existência, para que ela valha a pena, é preciso ser amado; e amar; e amar-se. Ter esperança; qualquer esperança.
Questionar o que nos é imposto, sem rebeldias insensatas mas sem demasiada sensatez. Saborear o bom, mas aqui e ali enfrentar o ruim. Suportar sem se submeter, aceitar sem se humilhar, entregar-se sem renunciar a si mesmo e à possível dignidade.
Sonhar, porque se desistimos disso apaga-se a última claridade e nada mais valerá a pena. Escapar, na liberdade do pensamento, desse espírito de manada que trabalha obstinadamente para nos enquadrar, seja lá no que for.
E que o mínimo que a gente faça seja, a cada momento, o melhor que afinal se conseguiu fazer. E isso se chama dedicação!

Dois irmãos decidiram cavar um buraco bem profundo atrás de sua casa.
Enquanto estavam trabalhando, dois outros meninos pararam por perto para observar.
- O que vocês estão fazendo? – perguntou um dos visitantes.
- Nós estamos cavando um buraco para sair do outro lado da Terra. – Um dos irmãos respondeu entusiasmado.
Os outros meninos começaram a rir, dizendo aos irmãos que cavar um buraco que atravessasse toda a Terra era impossível.
Após um longo silêncio, um dos escavadores pegou um frasco completamente cheio de pedras interessantes. Ele removeu a tampa e mostrou o maravilhoso conteúdo aos visitantes. Então ele disse confiante:
- Mesmo que nós não cavemos por completo a terra, olha o que nós encontramos ao longo do caminho!
Seu objetivo era por demais ambicioso, mas fez com que escavassem.
E é para isso que servem os objetivos: Fazer com que nos movamos em direção de nossas escolhas, ou seja começarmos a escavar!
Mas nem todo objetivo será alcançado inteiramente. Nem todo trabalho terminará com sucesso. Nem todo relacionamento resistirá. Nem todo amor durará.
Nem todo esforço será completo. Nem todo sonho será realizado.Nem toda a oportunidade será aproveitada.
Mas quando você não atingir o seu alvo, talvez você possa dizer:
- Sim, mas vejam o que eu encontrei ao longo do caminho! Vejam as coisas maravilhosas que surgiram em minha vida porque eu tentei fazer algo!
É no trabalho de escavar que a vida é vivida. E, no final, é o suor e a dedicação da viagem que realmente importa na alegria sentida!



Afinal, um tigre nunca muda suas listras!

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Prisão sem grades




"Fruto do mundo, somos os homens! Pequenos girassóis, os que mostram a cara e enorme as montanhas que não nos dizem nada!"
Raul Seixas

"Não importa o que você seja, quem você seja, ou que deseja na vida, a ousadia em ser diferente reflete na sua personalidade, no seu caráter, naquilo que você é. E é assim que as pessoas lembrarão de você um dia.

- "A verdade é que todo mundo vai te machucar,você só tem que escolher por quem vale a pena sofrer."

Um dia a tristeza vai embora... Aprendemos a sorrir novamente... Fazemos novas amizades... E vemos que todo aquele sofrimento do passado, não valeu tanto a pena... Pois se a vida fez as coisas andarem dessa forma... Foi porque não era pra ser... Pois se era pra ser o que pensavamos que era, não teriamos tomado rumos diferentes... Teriamos continuado caminhando na mesma direção."
Ayrton Senna


Que você seja um grande empreendedor. Quando empreender, não tenha medo de falhar. Quando falhar, não tenha receio de chorar. Quando chorar, repense a sua vida, mas não recue. Dê sempre uma nova chance para si mesmo.
Encontre um oásis em seu deserto. Os perdedores vêem os raios. Os vencedores vêem a chuva e a oportunidade de cultivar. Os perdedores paralisam-se diante das perdas e dos fracassos. Os vencedores começam tudo de novo.
Saiba que o maior carrasco do ser humano é ele mesmo. Não seja escravo dos seus pensamentos negativos. Liberte-se da pior prisão do mundo: o cárcere da emoção. O destino raramente é inevitável, mas sim uma escolha. Escolha ser um ser humano consciente, livre e inteligente.
Sua vida é mais importante do que todo o ouro do mundo. Mais bela que as estrelas. Apesar dos seus defeitos, você não é um número na multidão. Ninguém é igual a você no palco da vida. Você é um ser humano insubstituível.


Se você abre uma porta, você pode ou não entrar em uma nova sala. Você pode não entrar e ficar observando a vida. Mas se você vence a dúvida, o temor, e entra, dá um grande passo: nesta sala vive-se ! Mas, também, tem um preço... São inúmeras outras portas que você descobre. Às vezes curte-se mil e uma. O grande segredo é saber quando e qual porta deve ser aberta. A vida não é rigorosa, ela propicia erros e acertos. Os erros podem ser transformados em acertos quando com eles se aprende. Não existe a segurança do acerto eterno. A vida é generosa, a cada sala que se vive, descobre-se tantas outras portas. E a vida enriquece quem se arrisca a abrir novas portas. Ela privilegia quem descobre seus segredos e generosamente oferece afortunadas portas. Mas a vida também pode ser dura e severa. Se você não ultrapassar a porta, terá sempre a mesma porta pela frente. É a repetição perante a criação, é a monotonia monocromática perante a multiplicidade das cores, é a estagnação da vida... Para a vida, as portas não são obstáculos, mas diferentes passagens!

As cenas de nossa vida são como imagens em um mosaico tosco; vistas de perto, não produzem efeitos – devem ser vistas à distância para ser possível discernir sua beleza. Assim, conquistar algo que desejamos significa descobrir quão vazio e inútil este algo é; estamos sempre vivendo na expectativa de coisas melhores, enquanto, ao mesmo tempo, comumente nos arrependemos e desejamos aquilo que pertence ao passado. Aceitamos o presente como algo que é apenas temporário e o consideramos como um meio para atingir nosso objetivo. Deste modo, se olharem para trás no fim de suas vidas, a maior parte das pessoas perceberá que viveram-nas provisóriamente: ficarão surpresas ao descobrir que aquilo que deixaram passar despercebido e sem proveito era precisamente sua vida – isto é, a vida na expectativa da qual passaram todo o seu tempo. Então se pode dizer que o homem, via de regra, é enganado pela esperança até dançar nos braços da morte!

Novamente, há a insaciabilidade de cada vontade individual; toda vez que é satisfeita um novo desejo é engendrado, e não há fim para seus desejos eternamente insaciáveis.

Isso acontece porque a vontade, tomada em si mesma, é a soberana de todos os mundos: como tudo lhe pertence, não se satisfaz com uma parcela de qualquer coisa, mas apenas como o todo, o qual, entretanto, é infinito. Devemos elevar nossa compaixão quando consideramos quão minúscula a vontade – essa soberana do mundo – torna-se quando toma a forma de um indivíduo; normalmente apenas o que basta para manter o corpo. Por isso o homem é tão miserável.

Há momentos, em que a gente se pergunta por que é que as coisas são assim. São nesses momentos, que paramos para refletir sobre o real sentido das coisas... descobrindo assim as certezas e as INcertezas da vida que a gente vem carregando desde de sempre. O interessante disso tudo, é que não é apenas questão de rever os principios, mas é questão de rever a sí mesmo, em quem você se tornou em como você interage com as pessoas, se perguntar por que as coisas são assim não adianta em nada se você não demonstra pra você mesmo o seu brilho, a sua força, a sua garra, o seu carisma, o seu alto astral, o seu vigor, sua juventude. Não basta apenas mostrar pra você mesmo, você deve agarrar isso com tudo, e provar pra todo mundo do que você é capaz e COMO você se dispoe a encarar seu medos e seus tropeços de cabeça erguida, de peito aberto, sem medo, sem preceitos, sem esquecer de quem você realmente é de que como você realmente gostaria de ser. É com esse pensamento que você abre as portas de você mesmo para que o seu verdadeiro EU mostre a todos quem está por dentro e abrindo essa porta, também, é que você consegue trazer pra dentro, interagir com o exterior, absorver as coisas. Nessas horas, temos que ficar atentos e criar um filtro para drenar tudo de ruim e absorvermos somente o bom, o agradavel, o doce. Se você consegue acordar todos os dias, com o brilho nos olhos, disposto a enfrentar seus medos, e dar um tapa nos inimigos, você consegue obter de você mesmo e dos outros tudo aquilo que você sonha, tudo aquilo que você quer. É a capacidade de nos apaixonarmos todos os dias é que nos faz criar asas e alçar vôo rumo a lugares mais distantes, mais bonitos. O fogo inocente dos olhos de uma criança, o brilho curioso, é o que devemos ter para conseguirmos sonhar, viver, sorrir e crescer.
E como diria Falcão,
"Amanhã será tomorrow"


Afinal, um tigre nunca muda suas listras!

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Idiota é aquele que faz idiotices!



Alguém entra na sua casa, rouba suas coisas, agride você. Esse alguém cometeu, de uma só vez, vários crimes. Previstos em vários artigos da Constituição. Alguém entra na sua vida, rouba seu tempo, destrói sua confiança, agride sua auto-estima, estilhaça o pouco que resta da sua confiança no amor. E sai ileso. Mas não seria esse o pior crime que alguém pode cometer contra outra pessoa? Agressão só é penalizada quando alguém encosta a mão em alguém? Como se pune quem causa uma ferida que não está exposta?
Acredito que tomar uma surra de um boxeador deve doer menos do que ser traído. A dor física passa em algumas horas ou, em casos mais graves, alguns dias. Pra dor física, existe remédio. Pras feridas, existe curativo. Mas quem cura a dor de um coração destruído? Como se cura a dor de uma confiança perdida? O que fazer com as feridas cravadas na alma de alguém que sai na rua descrente do mundo? Como penalizar o agressor que, sem usar mãos, armas ou objetos cortantes e pontiagudos, causou ferimentos graves em alguém? Por que ninguém previu isso na lei?
As pessoas lotam os consultórios psiquiátricos, se entorpecem de remédio pra ansiedade, remédio pra depressão, remédio pra pressão, remédio pra dormir, remédio pra acordar. Remédio pra viver. Pra fazer viver quem quer morrer. Remédio pro irremediável. Pra dor que não passa. Pra ferida que ninguém vê. Vãs tentativas de resolver o caos interno. As pessoas tentam remediar uma dor que parece que nunca vai ter fim, um sofrimento que vem de dentro. Bem fundo. Tão fundo que nenhum remédio ou substância tóxica é capaz de alcançar.
Entendo perfeitamente crimes passionais. Entendo perfeitamente quando minha amiga diz que não consegue conversar mais com o ex-namorado porque ela tem vontade de bater nele. Entendo meu amigo que diz que preferia ver a namorada morta do que com outro. Sinceramente, entendo. Quando alguém te machuca, te decepciona, te magoa, a dor é tão grande que você quer agredir a pessoa de volta. Você se sente impotente. Enganado. Ferido. Frustrado. Dá vontade de matar. De morrer. De sumir. Seu mundo desaba bem na sua frente. Você sente que perdeu seu tempo, sua vida, sua auto-estima, suas forças. E qual a pena pro agressor nesse caso? Qual a pena pra alguém que entrou na sua vida, na sua casa, nos seus sonhos, nos seus planos e, num piscar de olhos, destruiu tudo como se tivesse esse direito?
Fui criado com princípios morais comuns:
Quando eu era pequeno, mães, pais, professores, avós, tios, vizinhos, eram autoridades dignas de respeito e consideração. Quanto mais próximos ou mais velhos, mais afeto. Inimaginável responder de forma mal educada aos mais velhos, professores ou autoridades… Confiávamos nos adultos porque todos eram pais, mães ou familiares das crianças da nossa rua, do bairro, ou da cidade… Tínhamos medo apenas do escuro, dos sapos, dos filmes de terror… Hoje me deu uma tristeza infinita por tudo aquilo que perdemos. Por tudo o que meus netos um dia enfrentarão.
Pelo medo no olhar das crianças, dos jovens, dos velhos e dos adultos. Direitos humanos para criminosos, deveres ilimitados para cidadãos honestos. Não levar vantagem em tudo significa ser idiota. Pagar dívidas em dia é ser tonto… Anistia para corruptos e sonegadores… O que aconteceu conosco? Professores maltratados nas salas de aula, comerciantes ameaçados por traficantes, grades em nossas janelas e portas. Que valores são esses? Automóveis que valem mais que abraços, filhas querendo uma cirurgia como presente por passar de ano. Celulares nas mochilas de crianças. O que vais querer em troca de um abraço? A diversão vale mais que um diploma. Uma tela gigante vale mais que uma boa conversa. Mais vale uma maquiagem que um sorvete. Mais vale parecer do que ser… Quando foi que tudo desapareceu ou se tornou ridículo?
Quero arrancar as grades da minha janela para poder tocar as flores! Quero me sentar na varanda e dormir com a porta aberta nas noites de verão! Quero a honestidade como motivo de orgulho. Quero a vergonha na cara e a solidariedade. Quero a retidão de caráter, a cara limpa e o olhar olho-no-olho. Quero a esperança, a alegria, a confiança! Quero calar a boca de quem diz: “temos que estar ao nível de…”, ao falar de uma pessoa. Abaixo o “TER”, viva o “SER”. E viva o retorno da verdadeira vida, simples como a chuva, limpa como um céu de primavera, leve como a brisa da manhã!
E definitivamente bela, como cada amanhecer. Quero ter de volta o meu mundo simples e comum. Onde existam amor, solidariedade e fraternidade como bases. Vamos voltar a ser “gente”. Construir um mundo melhor, mais justo, mais humano, onde as pessoas respeitem as pessoas. Utopia? Quem sabe?… Precisamos tentar… Quem sabe comecemos a caminhar transmitindo essa mensagem… Nossos filhos merecem e nossos netos certamente nos agradecerão!
Se tivéssemos domínio sobre nossos impulsos, nossos sentimentos, nossas emoções, nossas loucuras, o que seria do mundo sem paixão? Seria um mundo sem qualquer resposta, mas também, sem nenhuma pergunta.
Tudo o que se explica está ao alcance da mente humana, mas tudo o que é inexplicável, como por exemplo, a significação do ídolo para seu fã, está ao alcance de quem senão dele próprio!? Que é capaz de sentir a loucura invadir-lhe com um gosto de coisa sagrada e como forma de suportar, termina extravasando os gestos mais simplórios, mais extravagantes e mais ilógicos, nas mais diversas façanhas.
Se cada ser no universo tivesse um ídolo... E não apenas, uma pessoa querida e/ou amada, o mundo teria mais amor, teria sim, menos ignorância e bem mais cara!
Minhas verdades mudam com o tempo, meus valores não. O que alguém acha de mim não vai determinar quem eu sou. Mesmo assim, não vou discordar quando alguém achar que eu não valho a pena. Eu valho. Eu valho a pena se tentarem me amar ao invés de se apaixonarem por mim.

Afinal, um tigre nunca muda suas listras!

sábado, 27 de março de 2010

There's no place like home






A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo,
o que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro.
O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e ferir-se,
o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo. Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflete. Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes de emoção, as que são o patrimônio de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto de sua fria e desolada torre.

A matéria de hoje foge um pouco de reflexão e perguntas subescritas envolvidas em determinados assuntos como feito anteriormente. A matéria de hoje é o resultado daquele que vê suas linhas como sua única amiga presente, como sua única casa sem contestação.
Solidão não é ausência ou escuridão. Solidão é presença e repressão.

Imaginemos a vida como uma escadaria: embora tenha seu apoio, feito o corrimão, segue seu caminho com um percurso íngreme e degradado pela frente. Isso significa que tudo não passa de um ciclo relativo.
A distância de degraus que temos é relativo com a distância de corrimão. Jogando as idéias analógicas para pontos essencias do ser humano, digamos que a solidão é um paradoxo do pragmatismo social. Não importa o quanto caminhemos, sempre teremos nossos corrimãos, nossos amigos. E o que as pessoas julgam ser a solidão, se não a própria ausência e isolamento, se ainda temos no que se apoiar?
É exatamente por isso que eu contradigo aqueles que acreditam estar só, por uma rede social pequena.
Hoje, já não sei se caminho em minha própria escada ou apenas caminho em um espelho de frente para ela, refletindo um percurso sem movimento.
Rodeado de apoios não tenho onde me segurar.
O lobo reprime sua própria carne à matilha, o lobo deixa a neve cair sob seu faro numa incrível solidão com todos ao seu redor.
Existe dor maior que poder e não alcançar? Ter um lar e não poder o abraçar?
Solto em uma perigosa estrada, preciso voltar onde me esperam...
Afinal, um tigre nunca muda suas listras

segunda-feira, 22 de março de 2010

Laços



Antes de proceder o tema abordado nesta matéria, eu gostaria de específicar algumas coisas. Este blog será escrito em linhas jornalísticas. E é ai que você me pergunta: E em "Padmasana"? Você cita o "eu", fato incoerente para um texto jornalístico. Porém eu te respondo: embora minhas matérias sejam neste estilo, este ainda é meu blog e posso muitas vezes utilizar o recurso de função expressiva. A matéria que segue é uma reflexão de meu momento vivido, e nada melhor que fazer arte de suas próprias amarguras.

Referência: http://www.youtube.com/watch?v=gl74J-aAnfg

"O miticismo"

No curta metragem, somos apresentados a uma adolescente em crise e um jovem misterioso que pede um laço em sua gravata. Em alguns poucos minutos somos supreendidos com um bombardeio de reflexões e respostas do porquê o moreno pede um simples e forte laço em seu traje. O garoto era seu recente pai morto na forma do dia em que o mesmo conheceu sua futura esposa, mãe de Clarice.
Temos um paradoxo na situação? Cientificamente falando, sim, porém a própria ciência que estuda o ser, é uma derivação de religião.
A psicologia diz que definimos espírito como algo que designa a atitude mental dominante de uma pessoa ou de um grupo, que motiva-o a fazer ou a dizer coisas de um determinado modo.
Dizemos que a atitude mental de uma jovem ao perder o pai influência à estimulos primitivos de proteção e amor, fazendo que, mesmo ilusóriamente, a aparição do ente querido estivesse clara para si mesma em um momento emocional decisivo.


"É bobagem chorar por laços que parecem desfeitos, mas que continuam firmes. Alguns laços são teimosos. As vezes agente pensa "puf", lá se vão eles. Mas eles irão estar sempre ali. Que nem alguns amores"

A mensagem trazida pelo miticísmo de Laços é clara: como dito em "Padmasana", a falta de algo, o sentimento de saudade, propricia o aumento da consciência interna, estimulando a querer reprimir aquilo que sente, à fugir de suas reais conquistas. À não querer aceitar aquilo que a vida te soltou, bloqueando às vezes, laços pessoais. Mas laços são teimosos, e se um dia você o considerou como essencial em sua vida, eles sempre estarão ali, até mesmo depois que a morte o separe. Como alguns amores. "Do luto à esperança."


"A ideologia"

Laços nos proporciona uma pitada de reflexão ideológica apartir do momento em que o pai da menina insiste em saber de onde a garota estava vindo. Antes de saber os reais objetivos abordados no curta, nos perguntamos: por qual motivo Clarice cede ao fato de estar no funeral de seu próprio pai à um estranho? O que leva a morena perturbada confiar em alguém jamais visto?
Alguns religiosos diriam que foi a conexão relacionada entre os dois, mesmo que inconscientemente. Porém, visando meu ponto ideológico ao assistir tal reflexão, direi que não podemos fugir dos nossos sentimentos.
Essa é uma prova concreta de que adiar simplesmente não resolve. Nós resolvemos. E mais uma vez fazendo um link da matéria de semana passada, eu digo: por que devemos nos focar apenas na explicação de que "era para ser deste jeito?".
Somos obsoletos em procurar saber do porquê está sofrendo por alguém. Não acredito que tudo acontece por um propósito futuro.
Acredito que o presente ruim vivido, é reflexo do passado mal aproveitado. E o futuro não é nada mais que a reflexão do presente cheio de ensinamentos.
Pondo tal colocação em relação à situação, digamos que Clarice cedeu a um ensinamento, a um aprendizado que futuramente, irá influenciar para a pessoa que a mesma irá se tornar, mostrando-se forte e estável.

- Tá bom, Seu Malucodagravata... Eu estava no enterro do meu pai. Eu não queria ficar ali, então eu fugi! Não sei para aonde... Lugar nenhum me interessa mais agora que ele não está mais em lugar nenhum.

- Ficou lindo... O laço.


A mensagem

A mensagem transmitida por "Laços", depois de minutos de discussões, é como um rio. Uma variável ao longo de sua correnteza, porém uma única constante em seu final.
É um termo bem distinto tentar transmitir um objetivo final, uma palavra chave para a trama, pois cada pessoa reflete no decorrer da estória um pouco de si mesmo e o ensinamento é baseado em acontecimentos reais de sua vida. O que seriam as variáveis de nosso rio. Já sua constante se delimita apenas na mensagem do autor, que nesse caso diria sobre a fé de reerguer grandes derrotas. "Do luto à esperança."
E isso tudo nos leva à um outro tópico: saber respeitar opiniões. Saber diferir aquilo que você acredita que é o certo, daquilo que a sociedade julga ser certo.
Se um conjunto de variáveis chegam sempre em uma mesma constante, para que há tanta contestação sendo que um único objetivo é alcançado ideologicamente por todos?
Por que os conflitos são claramente visíveis em uma sociedade?
Devido a necessidade do homem estar à frente um do outro. Devido a vontade de ter seu nome como marco histórico, por ter pensado nessa constante comum de um jeito mais ousado àquele que se ateve a simplicidade e resolução. E o que seria a própria humanidade, se não ousadia? O que seria a humanidade se não riscos de laços mais difíceis de se fazer e de se desfazer, mas que depois de feitos e desfeitos podem ter prestígio e convicção?
O anoitecer sempre terá uma sombra diferente.

A interligação

Sou a rima de minhas linhas. O que não sou, elas são. O que não falo, elas falam, e no final, as completo sendo o autor. Sempre costumei falar que todos que gostam de escrever são pessoas oprimidas, são pessoas que sofrem opressão de suas idéias e pensamentos, escrever é uma fuga para tal pesar. Este é então, o local onde não mais serei oprimido.

Para o leitor, a facilidade de ler um texto e identificar a mensagem transmitida é algo do cotidiando, nada mais nada menos que se informar, porém para o autor, escreve-la, é simplesmente a tarefa mais dificil. Cada linha, cada fala, remete algo totalmente sobre você. Remete algo de opressão que os textos lhe dão a possibilidade de expressão sem julgamento. Falar sobre si mesmo e principalmente sobre suas próprias amarguras é uma tarefa honorável de um artista, pois argumentar sobre laços e casos vividos, não é superar, é ainda viver a realidade questionada em sua arte.
Por isso eu lhes pergunto: se o primeiro passo para a enfrentar um problema é a admissão do mesmo, e na arte, reconhece-lo é uma forma de expressar total foco sobre o assunto, não estamos em um dilema pragmático?
Afinal, um tigre nunca muda suas listras!


Eu prefiro os laços firmes. Aqueles que são mais difíceis de se fazer e de se desfazer, mas que depois de feitos e desfeitos, podem orgulhar de si mesmo e falar com convicção: Eu fui um grande laço!

quarta-feira, 17 de março de 2010

Padmasana



Se um dia, aqueles que se julgaram conhecedores de uma bela música e de um belo amor, disseram que uma guitarra pode não ser efetiva em momentos sombrios, eu vos contradigo.
Uma linda e bela música instrumental pode nos influenciar a tomar decisões radicais ou simplesmente largar todo um processo de superação e correr atrás daquilo que um dia sonhou.
Eu, e qualquer um de vocês, leitores, seguimos um caminho. Um caminho que eu diria que desde o dia que nascemos foi traçado. Um caminho feito encima escolhas.
E o que seria o próprio dejavu, se não uma bisbilhotada em algum outro caminho X nessa imensidão de escolhas chamada livre arbítrio?
Padmasana, mais conhecida como a Posição de Lótus, propicia o aumento da consciência interna, como um estímulo para aqueles sentimentos mais reprimidos e ofuscados por pensamentos externos.
E retomando o rumo inicial, temos como uma linda guitarra instrumental de Buckethead, "Padmasana", a canção da reflexão.
Em meus tempos mais sombrios, a mesma vem me acompanhando como uma única amiga que contesta o meu ser, me bota a prova.
Será que o universo tem sempre um jeito de corrigir as coisas? Que aquilo que você sempre lutou para conseguir, simplesmente se atém à aquela fútil explicação mítica de que o destino não aceitou o seu propósito? "Era para ser deste jeito?"
O quão grande é o poder instrumental para influenciar a tal ousada reflexão? Aquela que dias atrás você decidiu nunca mais correr por medo de sofrer, ou até mesmo por medo de se corroer. O quão grande é o poder instrumental para contestar uma fé? Contestar aquilo que um dia aceitamos sem menor julgamento?
Hoje, sou lobo, sou forte e digo com clareza que a música não é nada mais, nada menos que um espelho de nós mesmos fazendo escolhas em algum outro caminho. E ela é elo, é o elo que me faz sorrir e dizer: Não foi apenas aqui que eu errei, e em algum lugar deste vasto universo, eu acertei.

Afinal, um tigre nunca muda suas listras!