Estou diante da vida. Da vida que ainda vou levar.
Saber que muito me aguarda e que muito anseio conquistar.
Amigos amores, que venham aos montes.
Vida que venha e prepare o seu melhor para me derrubar.

Porque hoje sou lobo, sou forte. Um guerreiro nato.
Com fogo nas veias e um mundo aos meus pés esperando que eu o sinta.
Cada vez mais astuto e forte. Não tenho medo da morte, porque ela é o elo.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Capitão da Areia




Solto e flagelado,
Caminho ao meu lado.
Olho para um lado, olho para o outro,
Incríveis motes de areia invadem minha cabeça em um sopro.
Sopros gelados, sagazes e sem rumo,
Os quais iam e vinham, modelando o céu noturno.
Afinal, a qual destino seguia,
Se nem ao menos um havia?
Exausto e esgotado observava o cair do sol no horizonte,
Lutando e quebrando qualquer barreira, dia após dia, por águas de monte.
Já fazia algum tempo que estava ali em pura divergência,
E o fabuloso manto cordial, cada vez mais ia à decadência.
De que adianta fidalgo ser,
Se submeter minha vida me fez parar no meio de um deserto, pronto para morrer?
O pobre do camelo diante de seu próprio peso, agora ganhara leveza,
E demasiado em minha vida, a recordava com tristeza.
Houve um dia em que rodeado de amigos e parentes,
Soube tirar um lindo sorriso, enfatizando meus dentes.
Dentes até então limpos e inibidos.
Inibidos de ofensas e híbridos.
Híbridos de uma criança que sem malícia, ganharia seu passaporte na barca,
Mas para o meu azar, acabei me tornando patriarca.
Agora meus dentes já não brilhavam mais e sim ofuscavam!
Ofuscavam meu sorriso e aquela imagem que quando pequeno, loucamente projetavam!
Jurando pura consciência, decisões foram tomadas.
Decisões que no momento, manteriam minha família comportada!
Conseqüências vieram,
E vestindo o belo manto, assistiram-me afundando e nada fizeram.
Caído na imensidão arenosa,
Via-me cego por não perceber o quanto minha amada tornou-se chorosa.
Se romper ideais por novas medalhas refletiu no que sou,
Choro por minha alma em cima da tão sonhada cortesia, punindo aquele que me usou.
Mais um sopro passou e a noite agora com louvor,
Deixava-me cada vez mais convicto da perda de meu amor.
Fechei os olhos e procurei sonhar,
Sonhar um sonho que era, no momento, difícil de acreditar.
E ser humano até o fim, errei uma ultima vez,
Pensando apenas em mim e rindo como um Cortez!
De pé outra vez, sigo meu caminho como um tigre e suas listras,
Flagelado e solitário, buscando um novo significado para um eu maniqueísta!
Dono das areias, me tornei.
Denominado capitão, morrerei!


Afinal, um tigre nunca muda suas listras!

quarta-feira, 2 de junho de 2010

To remember and let it go



Há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia” (William Shakespeare).

Assim é nossa vida e assim foi o final de Lost: um verdadeiro tapa no cérebro dos intelectualóides de plantão.

Neste mundo materialista em que vivemos, em que tudo é cartesiano, é difícil para muitos aceitar a mensagem poética do último episódio de Lost.

Todos estávamos sedentos por respostas lógicas para tantas questões físicas e metafísicas com as quais fomos bombardeados ao longo destes 6 anos. Fomos habilmente levados a isso pelos criadores da série, que souberam magistralmente como alimentar nossa curiosidade. Eles nos instigaram a formular as mais complexas teorias para tentar explicar o inexplicável. Em nosso afã de entender, não medimos esforços, afinal, mexeram com nossos brios. Jamais nos subestimaram, sempre apostando em nossa capacidade criativa. Sempre nos surpreenderam com poucas respostas e novos enigmas a cada episódio, cada temporada.

Assim, ficamos tão obcecados com o lado científico da série, tão bem representado pela Iniciativa Dharma, uma paródia de nossa desesperada tentativa de controlar tudo, que acabamos relegando o lado humanístico da trama.
Olhando agora, em perspectiva, podemos lembrar que ao final de cada episódio, quase sempre eram mostradas cenas dos losties se reconciliando, se reencontrando, se ajudando, se perdoando. Este era o real cerne desta obra, que foi uma verdadeira ode à capacidade humana de se superar frente às adversidades. Apesar de toda nossa imperfeição, ou talvez por causa dela, ansiamos tanto por redenção. Era justamente o que cada um a seu modo buscava durante a saga. Acertando em alguns momentos, errando em outros, todos foram galgando seus obstáculos em busca da própria verdade. Como estavam perdidos, era cada um por si. A exceção de Jack, o mais solidário de todos, que logo profetizou: “Se não vivermos juntos, morreremos sozinhos”. E ele não morreu só.

A ilha era uma metáfora da vida de cada um, todos solitários e isolados como uma ilha. Todos perdidos, tanto em suas vidas quanto em suas mortes. Todos com a mesma luz que emanava do coração da ilha em seus próprios corações, mas também com o mesmo lado sombrio em suas almas, representado pela fumaça negra. Uma síntese de nossos eternos conflitos: Bem x Mal, Luz x Trevas, Razão x Emoção, Saber x Crer.
Até que finalmente, ajudados por Desmond, que aliás foi o responsável por provocar a queda do Oceanic 815 na ilha, os losties foram descobrindo uma verdade absoluta, comum a todos: o Amor. Este era o elo que os unia e nos uni a todos. Ele próprio teve um pequeno vislumbre disso quando descobriu que para se situar no tempo precisava de uma constante, que em seu caso era Penny, o amor de sua vida. Assim como reuniu todos na ilha, coube a ele a tarefa de reuni-los novamente no além. À medida que cada um ia se lembrando das experiências de amor que vivenciaram juntos na ilha, tudo ficava claro e todo o sofrimento por que passaram tornava-se insignificante. O Amor era a catarse final que restituiu suas consciências e permitiu a redenção de todos, numa grande confraternização.

Sim, amigos, o bom e velho Amor, tantas vezes ridicularizado e banalizado, mas que sempre triunfa, como exaltado pelo apóstolo Paulo em sua Primeira Epístola aos Coríntios, singelamente conhecida como Hino à Caridade ou Hino ao Amor:
Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse Amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom da profecia, e CONHECESSE TODOS OS MISTÉRIOS E TODA A CIÊNCIA, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse Amor, nada seria... O Amor nunca falha...

Ou mais recentemente, como já pregavam os Quatro Evangelistas de Liverpool: “All you need is love” (The Beatles).

É brega, é clichê, mas é a mais pura verdade.

Como eu disse anteriormente, como os autores sempre tiveram a capacidade de nos surpreender, não poderia haver final mais surpreendente que este.

Valeu a pena cada madrugada em claro, cada neurônio queimado, cada lágrima derramada.

Lost, que sempre esteve em nossas mentes, agora estará definitivamente em nossos corações.

I'll see you in another life, brothas!