Estou diante da vida. Da vida que ainda vou levar.
Saber que muito me aguarda e que muito anseio conquistar.
Amigos amores, que venham aos montes.
Vida que venha e prepare o seu melhor para me derrubar.

Porque hoje sou lobo, sou forte. Um guerreiro nato.
Com fogo nas veias e um mundo aos meus pés esperando que eu o sinta.
Cada vez mais astuto e forte. Não tenho medo da morte, porque ela é o elo.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Paixão Verde




Você não me conhece muito bem, mas quando conhecer, vai ver que tenho tendência de falar e falar sobre como escrever é difícil para mim. Mas isso, isso é a coisa mais difícil que eu já tive que escrever”.


Na procura, perco-me. Na nostalgia, vivo um novo momento. No fechar dos olhos, vejo o que sinto. E no que sinto, enlouqueço. Enlouqueço de corpo e alma e não sei bem porquê, mas no momento, ao som do velho violão e a brisa incomum da região, um pouco de paz me reina. Tento não me envolver, porém apenas no pensar do envolvimento, acabo fazendo parte de um todo. Sou o arco, tu a flecha. Sou o que fica, e tu és o que segue. Coube a mim te segurar por um período e guiá-la em uma direção, cabes a tu ir de cabeça. Como a dependência de um para o outro, dependo-me da exctasy do teu olhar, e lançado, entro onde for necessário para prover um bom futuro como uma rota escolhida por aquele que a lançou. Sou o momento, meu coração é a verdade, e perdido na verdade procuro por aquela que me guie. Na ideologia da procura, esperanças de resultados marejam meus olhos. Lágrimas tristes e pesadas denotam minha falha. A falha da incerteza do que é certo e errado. Cabisbaixo novamente em meio da chuva urbana sinto-me solto, porém impossibilitado para caminhar . Sinto-me leve, porém pesado demais para continuar e no dizer de palavras perigosas como estas, volto a chorar. Mais um pisque e mais uma visão, dessa vez, clara como o luar, um sorriso esboça-se e nem faço idéia do que pensar. Um campo verde, calmo e sereno aparecera, e sem significado algum, pôs-me em cegueira. Cego, levantei-me e fui em busca de um sinal, procurando ao redor do mundo por aquilo que me fizera tanto mal e, sem resposta, pus-me a descansar em qualquer sarjeta de uma pequena cidade, desistindo de amar.
Mudara o tempo, e com o sol escaldante ressaltando a longa barba, mais uma linha havia de ser preenchida. Sou o arco sem a flecha, sozinho em meus devaneios desinteresso-me de uma vida. Mais uma caminhada diária viria, agora visto como qualquer largado esquecia-me do plano de quem seria um dia. O amor me fez assim, e as linhas incertas tomavam o rumo das linhas racionais, porém do fundo do meu coração, saberia que aquela seria minha obra prima. Como uma promessa, contornava a cidade diariamente, em busca de novos horizontes que salvassem minha problemática mente. Agora, deitado em um campo, apreciava o céu, a imensidão que antes azul, se tornara verde. Meu mundo era verde e depois de tantos anos não sabia nem ao menos o porquê. O primeiro contato com o corpo de uma mulher, definira o final da vida como eu a conhecia. De menino, virei um homem, um homem prematuro, porém convicto. Como um felino, andava numa caça solitária e incessível em busca da felicidade. Neste momento, reconhecendo a brisa do campo, defino o final da vida como eu a conheço, porque sou forte. Um guerreiro nato.
Com fogo nas veias e um mundo aos meus pés esperando que eu o sinta. Cada vez mais astuto e forte. Cada vez mais homem. De prematuro para lobo. Neste mundo sem amor, não tenho medo da morte, porque ela é o elo. O elo que me entristece em saber que nada tenho, mas anseio conquistar. Ponho-me novamente de pé e dou mais uma olhada ao redor, a mesma paisagem de todos os dias, a mesma imensidão verde que me domina. Continuo a caminhar e na pequena estradinha de terra em direção ao meu aconchego, na encruzilhada do amor, fraquejo e acabo a apagar.
De baixo da árvore que marca o centro das quatro rotas, lentamente abro meus olhos e sem reação me deparo com o rosto mais angelical e sedutor que o homem já vira, porém, não é isso que me chama atenção. A mesma tonalidade do verde de minha vida, que invadira meu coração de uma forma que me fizera esquecer das outras tonalidades, simplesmente sumira. Tudo parece tão colorido, o céu tão azulado, as flores tão amarelas e seus olhos tão... Verdes. Com aquela mudança drástica em minha vida, simplesmente não consegui tirar a fixação daquele olhar penetrante. Tantas cores me chamando para que eu as sinta e a mais pragmática, mantendo-me na prisão das memórias. Um turbilhão de idéias e pensamentos me surgem a cabeça e apenas consigo ter foco em um deles. A noite a qual já havia esquecido. A noite a qual desesperadamente comecei minha jornada pela procura do sinal desconhecido, hoje, convictamente encontrado. Finalmente, minha flecha está lançada e meu arco relaxado. Encontro um mar de esperanças naqueles olhos de esmeralda e sossegado, com um mundo colorido à frente, fixo-me apenas naquela cor que um dia jurei ser meu pecado, e hoje, minha salvação, suas eternas imensidões apaixonadas verdes!
Esse é o final da vida como eu a conheço, de prematuro para lobo, de lobo para homem, de homem para um universo de sentimentos que me definem como humano. Um humano apaixonado.

Afinal, um tigre nunca muda suas listras!