Estou diante da vida. Da vida que ainda vou levar.
Saber que muito me aguarda e que muito anseio conquistar.
Amigos amores, que venham aos montes.
Vida que venha e prepare o seu melhor para me derrubar.

Porque hoje sou lobo, sou forte. Um guerreiro nato.
Com fogo nas veias e um mundo aos meus pés esperando que eu o sinta.
Cada vez mais astuto e forte. Não tenho medo da morte, porque ela é o elo.

domingo, 25 de julho de 2010

Devaneios



"Enquanto você se esforça pra ser, um sujeito normal e fazer tudo igual..
Eu do meu lado, aprendendo a ser louco, Um maluco total, na loucura real
Controlando a minha maluquez, misturada com minha lucidez
Vou ficar, ficar com certeza maluco beleza, eu vou!
" Raul Seixas

Procurei durante meses para descobrir quanto ao preenchimento de minhas linhas brancas, solitárias.
Assim como um eu te amo hipócrita lançado de alguém simplesmente por gentileza, confortando o ego e a auto-estima, deduzi, que apenas gentileza com minhas linhas fosse o suficiente para preenchê-las.
Sempre tive a opção de escrever sobre um romance, sobre uma fábula ou até mesmo sobre contos épicos. Mas opção não se concretiza em solução.
Tanto tempo sem ao menos manter minhas mãos sobre as teclas com aquele olhar vazio e a cabeça cheia. Tanto tempo sem ter aquela sensação comparada com um trago em um cigarro, mas desta vez totalmente nociva. Tanto tempo sem me liberar, sem ter medo.
Minha procura em busca de palavras sempre me conduzia a um mesmo ponto. Por que estou aqui? Por que me falta fôlego em mostrar a realidade? Por que ainda não estou pronto para expô-la como muitas vezes fiz em tentativas incansáveis de uma incerta procura por paz?
Esse ponto me intriga. Palavras dependem de vivências e experiências do cotidiano para fluírem, sendo assim, a unidade tempo sempre se sobressaindo em momentos como esse mostrando que a cada segundo fazemos historia, conhecimento, experiência e vivência, pelo motivo de estarmos vivendo o momento, pelo motivo da vida ser exatamente agora!
E por qual motivo minhas linhas continuavam sozinhas?
As pessoas possuem perguntas eternamente retóricas em suas vidas as quais, mesmo o quão irônico sejam, não conseguem responder. Algumas condizem com seus passados, outras com seus presentes e outras com o que ainda está por vir.
Minha retórica consiste no fato de sempre procurar por algo novo, sempre deixar marcado em minhas linhas realidades confusas e distorcidas, e a partir do momento em que elas não entram em harmonia com minha essência, se tornam apenas memórias de um passado próximo em que a vontade foi grande.
Mas e agora? O agora em que estou exatamente pensando nas próximas palavras e idéias sem mesmo saber o porquê ou o quê estou tentando transmitir.
Às vezes busco transmitir algo subjetivamente em cima do calor de minhas emoções, com um propósito em que cada leitor se conforte com sua própria definição condizente à situação em que vive.
Palavras pesam e cada uma delas, depois de formuladas, perdem seu significado dentro de uma idéia, a qual se mostra tão criativa e pouco experiente. Afinal, àqueles que escrevem, experiência se limita nas palavras, contudo se mostra irrelevante na idéia.
Normalmente uma idéia é utópica, porque se condizente com a realidade se torna um plano. E de que vale experiências enquanto buscamos o perfeito?
Encontro-me espiritualmente conectado com minha idéia e cada vez mais idealizo a resposta exata de minha retórica. Idealizo um dilema que simples e facilmente seria respondido em vontade e não vontade. Mas lá se vai... Lá se vai minha idéia tentando preencher quanto minha alma quanto minha escrita futilmente de uma máscara criada para um desconcerto social.
A vida, o raciocínio humano não procede. Se vontade baseia-se em escolhas e escolhas em conseqüências, há muito mais do que apenas querer e não querer.
Acho que no momento em que escrevo, descubro minha retórica. Minha retórica é crente e frágil, a qual cegamente acredita que na hora certa as coisas irão proceder, as linhas serão escritas numa espécie de louco devaneio.
Mas de que adianta se são apenas por minutos ou horas? É essa a sacada da vida! Perguntas e perguntas, uma atrás da outra, uma tentando prevalecer à resposta dada à outra, como um ciclo. Um ciclo pragmático que mantém o homem vivo, o homem ansiando pela próxima e pela próxima pergunta até o fim de seus dias, em que, tendo finalmente a resposta para sua retórica, olha para os lados e pensa: apenas creia na simplicidade das perguntas e a formulação das respostas determinantes para sua trajetória do próprio sentido da vida, da própria realidade vivida.
E neste momento, a morte se mostra de suma importância. Importância tal que é diagnosticada como catalisadora de sua oposta: a vida. Catalisadora de um ciclo interminável na procura incansável pela resposta através de frutos pessoais, formando finalmente um social. Entendendo finalmente, a essência da vida, o fator comum entre bilhares de planos e metas, determinando um novo começo. Um começo harmônico em que sua trajetória só se definirá quando duas essências similares concordarem e formarem uma só, até que, globalmente, todas se juntem e formem o verdadeiro nirvana, a verdadeira e tão procurada paz.
A paz pessoal e finalmente a paz social, o doutrina humana, a doutrina em que teremos mais um desses devaneios, e desta vez, coletivo, pronto para construir uma nova sociedade.
Uma sociedade politeísta, sendo cada um de nós deuses de nossos próprios caminhos, nossos próprios rumos e finalmente, nossas próprias linhas!

Afinal, um tigre nunca muda suas listras